Pokémon Go: quem e como fatura dinheiro com o game

pg6O aplicativo Pokémon GO, lançado neste mês, é um sucesso: mesmo ainda operando apenas em alguns países, o jogo já rendeu 7,5 bilhões de dólares para a Nintendo. Porém, a empresa não é a única que está lucrando com o jogo mobile mais bem sucedido da história.

Alguns empreendedores têm usado a grande procura por pokémons para atrair consumidores às suas lojas. Nenhum deles é brasileiro, já que o jogo ainda não está disponível no Brasil – mas é bom já ir se inspirando para quando o Pokémon GO finalmente chegar por aqui.

Veja, a seguir, como donos de negócio usaram o game para inovar (e faturar):

Traga pokémons – e clientes – para seu negócio

A pizzaria L’inizio’s Pizza Bar, em Nova York, contou com um pouco de sorte e um pouco de estratégia para se beneficiar do Pokémon GO.

Alguns pokémons apareceram randomicamente em seu restaurante, por conta da seleção do próprio aplicativo, enquanto outros apareceram porque o gerente da pizzaria, Sean Benedetti, investiu 10 dólares (32,50 reais, na cotação atual) em “módulos de atração” – recurso pago do jogo para atrair pokémons a lugares específicos.

Com a L’inizio’s lotada de pokémons, os usuários vieram ao local – e aproveitaram para consumir enquanto viam um Charmander sentado em um dos bancos ou um Snorlax em um dos banheiros do local. As vendas de alimentos e bebidasdispararam cerca de 75% em comparação com um fim de semana comum, diz Benedetti.

Outra estratégia é oferecer benefícios aos consumidores que usarem o “módulo de atração” no seu estabelecimento. Cada meia hora do recurso custa um dólar no jogo. O empreendedor pode oferecer descontos e cortesias com preço maior que esse valor (um suco de graça, por exemplo). A ideia é que esta ação irá atrair outros consumidores em busca de pokémons, superando seu custo inicial.

Aproveite pokéstops para oferecer novos serviços

Além de capturar todos os pokémons, outros objetivos do game incluem batalhar em ginásios e visitar pokéstops – lugares turísticos da região e que podem oferecer itens especiais.

A Joyride Nashville é um serviço do Tennessee, nos Estados Unidos, que leva pessoas de um local a outro usando carrinhos de golfe. Em um final de semana, notou como havia muitos jovens pedindo para serem levados a diversos pontos turísticos, enquanto tinham os celulares nas mãos.

Quando descobriu que o tráfego vinha por causa do aplicativo, o negócio criou o “Pokémon GO! Tour” – levando os passageiros pelas localizações que viraram pokéstops. Por 45 dólares (146 reais) por pessoa, é possível passear por 90 minutos. O chefe de operações de Joyride Nashville, Grant Rosenblatt, afirma que sete tours foram agendados em 24 horas.

Outro negócio que aproveitou os pokéstops foi a loja de roupas iconoCLAD, no também americano estado de Utah. Assim que soube que o negócio era um pokéstop, um cartaz foi colocado do lado de fora da loja: “Gotta catch ’em all, in style” (“Precisamos pegar todos [os pokémons], com estilo”, um trocadilho com uma frase famosa da franquia Pokémon).

A imagem foi colocada nas redes sociais do negócio e ganhou espaço em veículos como Buzzfeed e Forbes. Agora, a loja frequentemente cita o Pokémon GO para atrair mais consumidores.

Infelizmente, os empreendimentos devem depender da sorte para se tornarem pokéstops: o próprio aplicativo decide onde os pontos turísticos estarão, diferente dos “módulos de atração.”

Ofereça serviços complementares aos do game

Como era de se esperar com tantos recursos, o Pokémon GO é um jogo que gasta muita bateria do smartphone. Percebendo o desespero dos jogadores por carregar o smartphone, alguns empreendedores passaram a oferecer soluções para esse problema.

A forma mais simples encontrada é comercializar carregadores móveis em pokéstops. Porém, a agência de marketing Huge, em Atlanta (Estados Unidos), usou o Pokémon GO como um experimento de marketing do seu próprio negócio. A cafeteria da agência fica localizada entre dois pokéstops, gerando um fluxo de possíveis consumidores passando em frente ao local.

Além de usar “módulos de atração”, a Huge adicionou 25 estações para carregar o celular. A ideia é que as pessoas fiquem mais tempo no local – e consumam mais – enquanto esperam que o smartphone carregue totalmente. Além disso, há uma promoção para os clientes que mostrarem que capturaram um Pokémon dentro da cafeteria, esperando que o cliente peça mais itens e complete a refeição.

Pokémon GO?

O aplicativo, inspirado em uma franquia japonesa dos anos 1990, inspira-se nos desenhos e nos jogos antigos. Porém, aproveita os novos recursos dos smartphones e funciona por meio da chamada realidade aumentada: une os mundos real e virtual por meio de um software.

Na tela do smartphone, é possível ver um mapa mostrando quais pokémons estão perto do usuário, por meio de geolocalização. Ao chegar aos locais indicados, o usuário pode visualizar os Pokémons na tela do seu celular e lançar uma “pokébola” para capturá-los.

Ainda que o pokémon seja virtual, todo o ambiente ao redor dele é o próprio local onde o usuário se encontra – mais ou menos como no Snapchat, no qual acessórios e caretas são adicionados em cima do rosto fotografado.

O site Polygon diz que, hoje, o Pokémon GO está disponível em Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, Grécia, Groelândia, Itália, Islândia, Irlanda, Holanda, Hungria, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça. Ainda não há previsão de quando o jogo estará disponível no Brasil.